domingo, 2 de novembro de 2008

Utópico a vida

Quando eramos nós ..
Quando cianças brincando de ciranda
As mãos avulsas cruzaram-se
entrelasaram as vidas
Em parte...trilharam-se

Enquanto eramos nós
sós
Errantes
Fazendo experimentos de amor
Acertos
Em desespero gritavamos a liberdade

Quem soubesse que assim voltaria a ser
E tudo se repetiria mais um momento

Eramos somente nós
a sós
E os olhos cintilavam
a brasa e o calor
as velas e os lençois
E o tempo parava

Quem soubesse que assim voltaria a ser

No final
ah....que final

Quando eramos nós
deitados
sós
ao barro
sonhando com a vida

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Ele

Horas estúpido, outras astuto, horas calado e acanhado, outras risonho.

Ele chegou como se não quisesse nada; somente uma visita rápida, mas do nada gostou da minha casa e decidiu que iria morar lá.

Então, esse sentimento ganancioso não se contentou com o meu coração e tomou o meu corpo e reacendeu a flama do meu ardor.

Que a tantos e tantos tempos ficou abrandada num canto do porão das minhas lembranças Imersas.

Horas ele me da saudade e tristeza, outras felicidades

E então fica tudo confuso, incompreensível

Ele faz o que quer, na hora que o seja conveniente,

Mas mesmo sendo tão prepotente não quero que me deixe

Afinal de qualquer forma fora ele que me ensinou a amar.

E assim ele me mudou.

Não sei quando, nem sei como tudo isso foi acontecer.

Acho que foi só ele aparecer e então tudo em mim se transformou.






Oi gente...então..há tempos que eu não fazia poesia nem atualizava o blog...então juntei o útil ao agradável....rsrs Sempre que puder eu vou atualizando ok?? Comentem viu!!!!!! Beijus

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Uma dúvida e uma afirmação

Eu deixo que mintam que falem, afinal não estou fazendo nada de mau.

Talvez por ser menor, indefesa, talvez por ser quem sou

Mas tudo isso só é especulação.

Eu deixo que sintam, desprezem, afinal não sou perfeita.

Talvez por isso criem histórias, fábulas,

Talvez somente seja minha imaginação

Mas tudo isso só é especulação

Eu ainda espero o momento digno

Afinal o resto são só instantes fraudulentos

Insultos, Ultrajes, mas também podem ser a pura realidade.

E se isso tudo for verdade?

Se eu ao menos soubesse de fato o que pensam.

Talvez achem que sou uma megera, maldita.

Porém só palavras funestas deixariam minha face tão desconcertada

Mas tudo isso é só especulação

Afinal eles não me conhecem

Nem nunca me conhecerão se não souberem de verdade

O que se passa nessas palavras desajeitadas

Feitas em versos longos para descrever essa

Tristeza, duvida e angustia que sinto em meu coração

sexta-feira, 20 de julho de 2007

A Morte

PERGUNTA:

Por qual motivo a morte, de uma maneira geral, causa dor, sofrimento e da idéia de perda? justifique o motivo pelo qual as pessoas são tão facinadas por ela.

Resposta:

A morte é irreversível. Quem morre não pode mais falar, andar, pensar. Não é mais humano, mas sim a carcaça daquilo que já foi um homem. Isso gera idéia de perda que nada mais é que o sofrimento da dor. É quando sabemos que não veremos mais o “homem (mulher)” fisicamente. Somente em fotos, vídeos, lembranças.

O sofrimento é a conseqüência da dor. É quando não aceitamos a perda e nos sentimos culpados por não ter feito o que faltou fazer a ‘vida’ do ‘falecido’ melhor.

A morte é tudo isso e talvez por tal nos fascine. Por ser irreversível e totalmente enigmática.

Todos já se perguntaram uma vez.: “o que será que além da vida?”. Alguns acreditam que uma outra vida. Só que esta, eterna. Hoje sabemos para quem é ‘morto’ a vida é o fim; e então nos surge outra duvida, e para quem é morto haverá um outro fim?

segunda-feira, 4 de junho de 2007

ANTES QUE ELAS CREÇAM

Homenagem aos pais.:


ANTES QUE ELAS CREÇAM

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos. É que as crianças crescem. Independente de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com estridência alegre, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira: crescem, de repente. Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade, que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Ela está crescendo, num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você agora está ali, na porta da discoteca, esperando que não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas.

Essas são as filhas que conseguimos gerar apesar dos golpes do vento, das colheitas das notícias e das ditaduras das horas. E elas crescem, meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

(...) Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás para o volante das próprias vidas. (...)

Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer, para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância e doa adolescentes cobertos naquele quarto cheio de colagem, postes e agendas coloridas de pilot. (...)

Elas crescem sem esgotássemos nelas todo nosso afeto.

No principio, subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais páscoas, piscinas e amiguinhas. (...) Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um so9frimento, pois era impossível largar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. (...) Agora é hora de os pais nas montanhas terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do caminho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos, e que não pode morrer conosco. Por isto os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isto é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.

(SANT’ANA, Afonso Romano de. Antes que elas cresçam.

Diálogo Médico, São Paulo, Ano 20, n.52, nov/dez/. 1994)